O caminho é mesmo simples. Sou o irmão do meio, isso em casa significa muita coisa.
Não sou o mais responsável nem o mais estável, como se fosse mérito da idade. Mas enfim, tenho cá uma vida.
Pois sou eu sempre que peço ao mais velho conselhos e principalmente, ajuda. Isso quase sempre não é recíproco, pois trata-se do equilíbrio e concentração em pessoa.
Já o caçula, não sei se de tanto me ver agir assim, começou a imitar. Vira e mexe pede alguma coisa; parece que se acomodou na vida, pois sempre é atendido. Vejo uma inversão de papéis muito engraçada senão, trágica. O meu egoísmo esbarra em alguns momentos de alturismo, se é que assim posso chamar...
Na real, não sei se quero ajudar e ser ajudado. Não sei se posso te emprestar dez reais porque acabei de pegar quinze com o Daniel. Não vou te dar carona para o metrô porque tenho meus afazeres. Tudo o que me era negado com propriedade passou a ser meu discurso. E, honestamente isso não é confortante.
É um sentimento horripilante de descobertas, de porquês. Essas auto-flagelações que consomem tanto tempo da vida. As famosas perguntas sem respostas. Então era isso que causava no mais velho?
Mas eu prometo uma coisa; não, algumas... Tentarei mudar o jeito que as coisas naturais são sem forçar a barra, se o carro estiver em casa e eu também, eu te levo ao metrô. Pode pegar qualquer peça do meu armário contanto que devolva. O computador é meu, mas você pode usar qualquer hora. O bilhete único é meu e eu uso sim. E sempre, sempre pague o que você me deve ao Daniel que não pára de me ligar enchendo o saco.
Perdoa a maneira de aprender a te respeitar e amar como irmão. Mas é que o fator sangue não é suficiente. Isso leva um certo tempo. Para ambos!


