hoje eu não acordei com vontade de escrever. mas o dia correu, uma quarta-feira. e me deu uma vontade de escrever. talvez dizer a mim mesmo tudo o que sei. talvez gritar ao mundo entre meia dúzia de parágrafos de uma página esquecida da internet. meu espaço.
espaço que uso para mentir. espaço que uso para contar. e principalmente descontar. mas hoje escrevo não sobre nada, mas sobre aquilo que não se pode saber. o final de mais uma era aproxima-se e nem eu mesmo sei se a era era para acabar. nem eu sei se meus atos são atos e não reações desencadeadas de fatos isolados. e o pior é que meu porto seguro já não pode me ajudar. meu porto seguro está fechado desde recebeu ares europeus. está abrindo aos poucos, mas não às terças e quartas quando chega meu navio.
perdido em tanta tempestade, eu minto. o website que mais acesso ninguém sabe. o que sinto sobre minha mudança ninguem sabe. todos acham que sabem mas não sabem. mesmo porque não entraram no avião comigo rumo a San Diego, não arrumaram emprego no subway comigo. não estavam presentes quando me casei. não estavam no meu ano novo do portugalia. não estavam na minha primeira loucura de pó com as cariocas. não estavam no avião rumo a manhattan. não estavam quando eu descobri conan o'brien. não estavam quando eu queimei de febre no ano novo seguinte. muito menos quando o meu carro quebrava em tudo quanto era lugar.
a verdade é que há dois anos a minha escolha tem sido contar com si próprio e não esperar nada de ninguém. com todo o ceticismo, eu ainda consegui encontrar pessoas boas na corrida. pessoas dispostas a me ajudar e deixar ser ajudadas. se começar a citar nomes talvez deixe um ou outro passar. mas todos sabem a importância na minha vida.
eu vivi o inferno e o céu. mas quem não vive? aonde é que não se vive o céu e o inferno? achismos a parte, eu vivi. vim, vi e venci. perdi muito. a paciencia. gritei, briguei, liguei pra polícia. comi mulher banguela. varei noites e mais noites assitindo televisão. assim como fazia no brasil. na nova zelândia. assim como farei em qualquer lugar que estiver. arrumei amigo falso. fui falso também. o título de padreco eu nunca quis. eu não agrado ninguém a toa. mas isso já não uso como regra.
sei que sinto falta de sentir o cheiro do rio tiete. sinto falta do pastel de feira. sinto falta dos arrotos de guaraná do daniel na minha cara. das leituras da folha com a mãe. sinto falta dos porres com o pai. sinto falta das trocas de mensagens de texto com a karina. das conversas na praça com o cae. mas vivo a muito sem isso tudo e vivo bem. saudosismo é nada mais que um estado. assim como a gripe. como a bebedeira. tem seu auge e sua decadencia.
eu posso, de antemão dizer que sentirei falta de jogar mario kart com o catatau. de ligar pra vivi e ficar falando asneira até ela cansar (eu nunca me canso). de sentar a mesa com o tiago e tomar café a tarde inteira só falando de televisão. de falar mal de carioca/mineiro com a vanessa. de fuder a puta da cabeça ao meu chefe joão. de gravar músicas no i-pod do jorge. de inventar letras de musica com o jonnhy. de carregar a diana (american dude) nos ombros e correr pelas ruas gritando. de chingar a rosário de vagabunda. de chamar ashley de elefante. de conversar sobre o tempo com o senhor rodrigues. de entregar comida ao officer haynes no hospital da universidade. de botar gasolina com o brito (mikka). enfim...
serei eternamente saudosista. e por isso, e nada mais, parto sempre. i am a misfit! and proud of it. daqui a dois anos, minha vida estará tão diferente como está agora. e assim seguirá.
portanto, viva bem. e pouco. é melhor ser uma promessa desperdiçada que um fracasso relutante.
a la tete
uma batalha constante
Wednesday, May 17, 2006
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- Arthur Carvalho
- opinativo, reclamão, relaxado, fumante, irônico, sincero, emburrado, feliz.
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